quinta-feira, 10 de outubro de 2013

PROVÉRBIOS 20



Provérbios 20




Silvio Dutra




Mar/2016






 
  A474
            Alves, Silvio Dutra
                  Provérbios 20./ Silvio Dutra Alves. – Rio de Janeiro,
                  2016.
                  48p.; 14,8x21cm

                 1. Teologia. 2. Salomão. 3. Estudo Bíblico.
             I. Título.
                                                        
                                                                             CDD 230.223




Provérbios 20

1 O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar não e sábio.
A embriaguez produz estados alterados de consciência. Isso não é bom, porque importa que estejamos plenamente sob o controle  consciente de nossos pensamentos e ações.
Acrescente-se que,  se o Inimigo de nossas almas consegue muitas vezes, nos induzir à tentação quando estamos cônscios, quanto mais quando estamos embriagados ou sob o efeito de qualquer outro agente que produza algo equivalente ou pior, como o vício em outros tipos de drogas.
Escárnio e alvoroço são as condições destacadas pelo provérbio, quando estamos debaixo do efeito da bebida forte, mas há muitas outras condições humilhantes e problemáticas a que ficamos sujeitos. 
    



2 Como o bramido do leão é o terror do rei; quem o provoca a ira peca contra a sua própria vida.
O conceito de um Deus “bonzinho”, que nunca fica irado com as nossas provocações da sua justiça, santidade e longanimidade é algo totalmente equivocado, pois além de todos os seus atributos de amor, misericórdia, benignidade, e bondade, ele também possui o da ira, pelo qual leva a efeito os seus juízos contra o pecado.
Na verdade, todo pecador ainda não justificado pelo sangue de Jesus permanece debaixo da ira de Deus, que não se manifesta de forma imediata somente porque nos encontramos na dispensação da graça, que ele estabeleceu desde a morte e ressurreição de Jesus, pela qual tem adiado para o dia do juízo final, todo o ajuste de contas que devemos fazer em relação ao bem ou ao mal que praticamos nesta vida.
Nunca é demais esquecer, que pessoas como o chamado “anjo da morte” nazista, Joseph Mengele, depois de tudo o que fizera de monstruoso ao próprio povo de Israel - a nação da aliança - viveu ainda longos dias na América do Sul, vindo a falecer no Brasil de morte natural, sem ter enfrentado sequer qualquer tribunal terreno.
Esta é dentre muitas outras, a grande prova de que há uma dispensação de graça neste mundo, pela qual Deus não opera logo os seus juízos, pois se tivesse de fazê-lo; não apenas o carrasco nazista enfrentaria imediatamente o terrível juízo de morte eterna no lago de fogo, em plena consciência, (pois essa morte não significa aniquilação, já que o espírito humano jamais deixa de existir), bem como todos aqueles que não estivessem ainda debaixo da cobertura do sangue de Jesus enfrentariam o mesmo fim, pois não há diante da perfeita santidade de Deus, um único justo que seja merecedor ou digno do céu, senão somente do inferno.
Por isso, o fato de alguém viver muito tempo na prática da impiedade neste mundo, não é necessariamente uma prova de que Deus não se importe com aquilo que é e faz; ao contrário, quanto mais viver, maior será a dívida e sofrimento que terá que arcar no dia do juízo.





 3 Honroso é para o homem o desviar-se de questões; mas todo insensato se entremete nelas.
Isto está projetado para corrigir os erros dos homens em matéria de disputas.
Os homens pensam que é sábio se envolver em brigas; todavia isto é a maior insensatez que existe. Aquele que assim procede é um tolo, e cria uma grande quantidade de irritação desnecessária para si mesmo.
Os homens pensam, quando estão envolvidos em brigas, que seria uma vergonha deporem suas armas e recuarem; pensam que sua honra seria manchada se assim procedessem.
Todavia, é honroso para um homem que ele seja sábio e se desvie da contenda, até mesmo antes que ela se inicie - quando os sinais apontam para uma possível discórdia, seja em relação ao que for.
É a honra de um homem, revelar que tem domínio sobre o si mesmo, que é manso e humilde de espírito, e por saber que Deus tem ordenado que toda demanda deve ser entregue em Suas mãos, para que tudo seja julgado com perfeita justiça, sem qualquer parcialidade.
Temos um exemplo disso em Davi, que quando teve oportunidade de se vingar de Saul, depois de ter sido perseguido dura e injustamente por ele durante muitos anos, disse-lhe que Deus julgasse entre ambos o que era justo, e desse a cada um a justa recompensa ou castigo.
Todo o Novo Testamento confirma este procedimento. O apóstolo Pedro diz que devemos confiar a nossa alma ao fiel criador, continuando na prática do bem, enquanto padecemos injustiças neste mundo. 




4 O preguiçoso não lavra no outono; pelo que mendigará na sega, e nada receberá.
Há uma época apropriada para semear e outra para colher. Se não semearmos, não colheremos; se semearmos pouco, colheremos pouco - se muito, muito.
Por isso somos ordenados a aproveitar todo o tempo de vida que Deus nos concede, para semearmos o maior bem possível que pudermos, especialmente naquelas coisas relativas ao evangelho, pois o nosso outono, ou seja, o tempo da semeadura é o tempo de vida que temos deste outro lado do céu, para que colhamos o fruto do galardão no dia das Bodas do Cordeiro.
O provérbio diz que aquele que não semeou virá a mendigar, mas nada receberá. Temos aqui uma ilustração perfeita do que sucederá a todo aquele que gastou sua vida fora do serviço de Deus. Ele nada receberá de Suas mãos, senão apenas juízo.



5 Como águas profundas é o propósito no coração do homem; mas o homem inteligente o descobrirá.
Discernir o propósito de outros em relação a nós, sobretudo quando não são para o bem, e sim para o mal, é algo que está reservado somente para aqueles que têm alcançado a sabedoria que vem de Deus.
Há também o dom sobrenatural do Espírito Santo, chamado discernimento de espíritos, que permite não somente descobrir o intento dos corações, como os próprios projetos de Satanás.
Isto nos permitirá agir com prudência, para que não venhamos a cair no mal que estes corações e espíritos malignos intentam contra nós; já que não é fácil identificá-lo, pois geralmente é disfarçado sob a capa de “bondade”, visto que Satanás e seus servos se transfiguram em anjos de luz para fazer mal aos homens, especialmente àqueles que são fiéis a Deus.




6 Muitos há que proclamam a sua própria bondade; mas o homem fiel, quem o achará?
A pergunta final do provérbio não é: “mas o homem bom, quem o achará?”, já que é introduzido pelo tema da bondade que muitos proclamam possuir.
A pergunta não foi feita da citada forma, porque simplesmente não existe qualquer pessoa que seja boa aos olhos de Deus. Somente Ele é bom, conforme o próprio Jesus afirmou ao jovem rico.
Agora, isto não exclui a existência de pessoas que sejam fiéis a Deus. Mas, pela experiência e sabedoria que havia recebido do Senhor, Salomão sabia que são poucos, em comparação com os infiéis, e daí a pergunta em sentido irônico a estes que se acham bons: “vocês que se julgam bons, podem ser fiéis a Deus enquanto pensam desse modo, quando ele tem afirmado que todos são pecadores destituídos da Sua glória?”
Certa irmã em Cristo, nova convertida, que ainda crê que a bondade de muitas pessoas é suficiente para recomendá-las para o céu, descobriria facilmente que elas não são tão boas quanto parecem, se simplesmente lhes pedisse para se ajoelharem ao seu lado e orarem, louvando e glorificando o nome de Jesus, e depois fizessem um estudo bíblico para colocarem em prática todas as coisas que nos são ordenadas na Palavra de Deus.
Somente quem ama a Deus e o conhece por meio da fé em Jesus, pode fazer isso. Mas, estas pessoas “boazinhas” poderiam ser fiéis, pois mesmo nesta condição continuamos sendo pecadores,  e só não seremos mais condenados ao juízo de fogo eterno, que merecemos, porque Jesus pagou o preço exigido para a nossa redenção. Por isso, e somente por isso não somos condenados, e não por qualquer bondade que exista em nossa natureza terrena decaída no pecado, na qual se afirma na Bíblia, que não existe qualquer bem.








7 O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.
Bem-aventurados são os filhos de pais justos, porque  pelo seu exemplo e ensino poderá vir a andar no mesmo caminho de seus pais, vivendo também de modo justo diante de Deus, que é o único no qual alguém pode achar a Sua bênção.
Além disso, por amor à justiça em que vivem os pais, muitas vezes os filhos são livrados por Deus do mal, não propriamente por causa deles, que muitas vezes andam por caminhos que não são bons, mas por amor aos seus pais.
Nós vemos isto sendo declarado por Deus, muitas vezes nas páginas do Velho Testamento, quando por amor à justiça do pais, deixou de visitar com juízos a iniquidade dos filhos, ainda que não inocentasse a estes últimos.    





8 Assentando-se o rei no trono do juízo, com os seus olhos joeira a todo malfeitor.
A rainha de Sabá testemunhou pessoalmente, a grande sabedoria de Salomão para julgar o povo de Israel, e afirmou que este havia sido de fato abençoado por Deus, em lhes dar um rei tão sábio e justo como ele.
A palavra do provérbio aponta também, para aquele Rei que se levantaria depois de Salomão, a fim de reinar para sempre sobre Israel – Jesus -  que seria perfeitamente sábio e justo em seus juízos, de modo que quando se assentar no seu trono de juízo, ao olhar em sua volta saberá separar (joeirar) os ímpios dos justos. Ele o fará com seus olhos de chama de fogo que tudo percebem, até o mais interior da alma e do espírito; de modo que nem sequer um pensamento mau poderá ser escondido da Sua onisciência.


     


9 Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?
Esta afirmação pode até ser feita por aqueles que tiverem sido lavados no sangue de Jesus, mas jamais poderá ser dito que o fizeram por si mesmos, ou por causa dos seus méritos.
Toda purificação do nosso coração, de todo pecado é sempre feita pelo próprio Jesus, com base no sangue que derramou por nós na cruz.
O provérbio ensina, portanto que não há em qualquer pessoa o poder de purificar a si mesma. Nenhuma boa obra, nenhuma inciativa para se reformar pode remover a inclinação para o pecado que se encontra ligada à nossa natureza terrena.
      






10 O peso fraudulento e a medida falsa são abominação ao Senhor, tanto uma como outra coisa.
O conteúdo deste provérbio é encontrado também em Pv 11.1 e 16.11, cujo comentário repetimos abaixo.
A balança aqui referida, não é somente aquela que é usada como meio de pesagem de produtos, segundo o padrão estabelecido; mas, sobretudo aquela pela qual é pesado e medido o nosso próprio caráter.
A balança pela qual é realizada esta aferição de modo justo e correto, a qual é todo o prazer de Deus, é a Sua própria Palavra. Esta Palavra nos recomenda honestidade, não somente em todos os nossos negócios,  como em toda a nossa atitude e comportamento. Assim, concluímos que a pessoa que não é honesta segundo o padrão divino, não é de fato uma pessoa devota e piedosa.
Ela pode se dedicar a todos os deveres e práticas religiosas, ainda que cristãs, e, no entanto ser achada em falta quando pesada pela balança do céu, por não ser honesta. Um religioso verdadeiro deve ser honesto para com todos os homens.
As práticas comerciais modernas adotaram diversos expedientes que são desonestos em sua natureza, com o fito de aumentar a margem de lucratividade. Mas, ainda que isso possa ser considerado inteligente entre os que as praticam, elas permanecem como uma abominação diante do Senhor.
Nada é mais ofensivo a Deus do que a prática do engano no comércio.  A balança enganosa  é aqui colocada, para todos os tipos de práticas injustas e fraudulentas, ao se lidar com qualquer pessoa.
Evidentemente, ninguém gosta de ser enganado, até mesmo o que é dado à prática do engano; é nisto que reside a injustiça do ato enganoso, pois é uma injúria praticada contra o próximo.
O preço de uma mercadoria pode variar segundo as leis de oferta e procura, mas o peso e a balança são sempre fixos segundo os padrões de medida padronizados.
Assim, o provérbio não se refere à justiça do preço, mas à do peso e da balança, pois uma adulteração em ambos pode indicar uma possível intenção de desonestidade e trapaça por parte do comerciante, para aumentar sua lucratividade por meio da fraude.
Quando o lucro é auferido por meio do prejuízo ou engano de outros, isto configura uma abominação para Deus.
Alguém poderia indagar, por que um Deus tão elevado e poderoso, criador de tudo o que há no universo, se ocuparia com questões que ao juízo de muitos parecem tão pequenas e sem importância?
Afinal, que grande prejuízo poderia trazer a toda a criação, um ato isolado de desonestidade, praticado contra alguém numa determinada ocasião?
Todavia, o problema em questão não se relaciona a possíveis prejuízos na ordem financeira e econômica mundial, senão à corrupção da alma daquele que age fraudulentamente, pois quem é infiel no pouco também o será no muito, e Deus jamais confiaria as riquezas do seu reino eterno a uma pessoa que viva sistematicamente de forma desonesta, sem que nada ofenda a sua consciência. 



11 Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se a sua conduta é pura e reta.
A árvore é conhecida por seus frutos, um homem por suas ações, até mesmo uma árvore jovem por seus primeiros frutos.
As crianças não aprenderam a arte da dissimulação, e não escondem sua inclinação como os adultos, mas já trazem em si o germe do pecado. O provérbio ensina que já nascemos pecadores, pois este se revela até mesmo na infância. É um mal universal do qual podemos ser curados somente pelo sangue de Jesus.




12 O ouvido que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos.
Cremos que o dito proverbial vá além dos sentidos naturais da visão e audição, pois é dito várias vezes na Bíblia, que há ouvidos que ouvem, mas não entendem, e há olhos que veem, mas não enxergam.
A referência é sem dúvida à capacidade de entender o que se ouve da pregação da Palavra de Deus, e à de discernir os seus desígnios sendo cumpridos em nossa vida, e na história da humanidade.
Por isso há uma nota que se repete no livro de Apocalipse, de que aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito Santo está dizendo às Igrejas.
Não há dúvida que se trata de discernir as coisas espirituais, celestiais e divinas, e ter uma visão adequada e correta da interpretação dos fatos que ocorrem no mundo, na relação deles com o retorno de nosso Senhor Jesus Cristo, e da ação de Deus em seus juízos sobre o pecado, bem como o seu mover para operar a salvação e santificação daqueles que se arrependem.
Agora, é dito que esta capacidade de ouvir e enxergar é dada por Deus. É ele quem cria esta capacidade e condição, de modo que devemos comprar pela nossa consagração, o colírio da graça que Jesus pode nos dar, para que enxerguemos Sua vontade, de forma que possamos praticá-la.







13 Não ames o sono, para que não empobreças; abre os teus olhos, e te fartarás de pão.
No sono há somente a atividade de sonhar, que para nada é produtiva, a menos que tais sonhos sejam revelações de Deus. Todas as demais faculdades do corpo e da alma ficam interrompidas temporariamente enquanto dormimos, de modo que ainda que necessário, o descanso do sono deve ser usado na medida adequada, de modo que não sejamos achados sempre prontos à indolência, porque impede que vivamos de modo útil, conforme é da vontade de Deus que o façamos.
Agora, há um tipo de sono mesmo quando estamos acordados, que é aquele estado de espírito que ama a acomodação, pelo qual nos tornamos negligentes na execução de todos os nossos deveres.
Os olhos estão abertos, mas a alma está dormindo, alheia a tudo e a todos ao  seu redor. Isso é um mal que não pode ser vencido, caso não se lute contra ele, por procurarmos ser ativos mesmo quando tudo em nós parece tentar impedir que o sejamos.
Uma grande caminhada é sempre iniciada pelo primeiro passo. Todo grande edifício é erigido pela colocação do primeiro tijolo. Uma vez realizada a ação inicial, a tendência é que nos entreguemos com boa vontade a dar continuidade à mesma. Se dermos o primeiro passo, Deus nos ajudará a prosseguir na caminhada, mas se permanecermos parados é bem improvável que o faça, pois como poderá fazer andar quem está deitado?
Isto se aplica em muitos sentidos à própria vida espiritual, sobretudo no que tange à oração. Muitos não oram, porque não se sentem inclinados a isto, porém todos que começam a orar serão ajudados pelo Espírito Santo a fazê-lo, e encontrarão grande refrigério e prazer.
Outros não se dispõem a ler a Bíblia, e certamente não a lerão, enquanto não abrirem as suas páginas e começarem a leitura.







14 Nada vale, nada vale, diz o comprador; mas, depois de retirar-se, então se gaba.
Há um ditado de que aquele que desdenha quer comprar.
As pessoas usam o artifício de desvalorizarem os bens que desejam adquirir, para que possam fazê-lo com o menor gasto possível.
Os vendedores, por seu turno, sabendo dessa inclinação para tal prática costumam supervalorizar suas mercadorias, com o propósito de que ao pechincharem cheguem o mais próximo possível do preço justo, mas sempre pensando em levar vantagem.
Estes são truques e mentiras dos quais os homens deveriam se envergonhar, e não se gabarem, no fim, como diz o provérbio, por terem enganado o comprador ou o vendedor, conforme o caso.
    




15 Há ouro e abundância de pedras preciosas; mas os lábios do conhecimento são joia de grande valor.
Jó perdeu bois, camelos e ovelhas em grande número em sua provação, mas através disso e de outras perdas, Deus queria e conseguiu forjar nele a paciência espiritual, que é muito preciosa e rara de se ver na terra.
Bois, camelos e ovelhas existem em abundância e podem ser vistos todos os dias, mas a paciência que é fruto do Espírito Santo de Deus é uma joia preciosa, de grande valor aos Seus olhos.
Agora, o provérbio faz uma comparação de igual teor, só que do conhecimento de Deus, com o ouro e as pedras preciosas, os quais, apesar de raros são muito mais abundantes e fáceis de serem achados do que este conhecimento verdadeiro da vontade de Deus.
Somos sábios então, quando sabemos dar o devido valor às coisas e buscar aquelas que são mais preciosas para Deus.
A pessoa que busca em primeiro lugar o fruto do Espírito Santo (paz, bondade, paz, alegria, benignidade, fé, domínio próprio, longanimidade, fidelidade etc.), e por nada o troca, é de grande sabedoria, pois está investindo naquilo que é de real valor, eterno e também precioso para Deus.





16 Tira a roupa àquele que fica por fiador do estranho; e o que se une à mulher estranha.
Aqui se fala de dois tipos de pessoas que estão arruinando suas próprias posses, e que podem vir a mendigar em breve, a saber, aqueles que ficam amarrados ao pedido de estranhos por fiança, os quais não raro, não saldam seus compromissos assumidos, deixando tudo ao encargo do fiador.
O segundo tipo de pessoas referido no provérbio são aqueles que se unem a mulheres estranhas, que os seduzem, a fim de se tornarem suas companheiras e se apoderarem dos seus bens, pois este é o único intuito delas na aproximação que fazem, ocultando-o guardado em seus corações, para não levantarem desconfiança quanto ao fato de serem apenas interesseiras.
  





17 Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas.
O pecado pode ser eventualmente, agradável enquanto é praticado, mas todos os prazeres e vantagens obtidas por meio do pecado são um pão de mentira, pois é um alimento falso que engana os homens, e na verdade é como um monte de pedrinhas na boca, que não podem servir de alimento real, senão uma aflição.  
Quando sua consciência é despertada, quando ele se vê enganado, e torna-se apreensivo com a ira de Deus contra ele, por causa do seu pecado;  quão doloroso e desconfortável será então, o seu pensamento quanto ao que pensava ser um prazer e uma vantagem, mas na verdade é um grande prejuízo para o bem da sua alma.





18 Os projetos se confirmam pelos conselhos; e com bons conselhos se faz a guerra.
É bom que em cada coisa e ação a ser deliberada, consultemos pelo menos a nós mesmos, fazendo a devida reflexão da matéria; e antes, ou ao mesmo tempo, a direção de Deus.
Caso ainda haja alguma indecisão quanto ao melhor caminho a seguir, devemos recorrer ao conselho daqueles que são reconhecidamente sábios, experientes, verdadeiros amigos, ou pessoas de caráter comprovado.
Esta é a maneira de ter nossa mente e nossos propósitos estabelecidos, e ter sucesso em nossos assuntos,  considerando que, aquilo que é feito às pressas e com precipitação está geralmente fadado ao fracasso.
A decisão final deve ser precedida de uma deliberação madura.
Especialmente nos casos  de disputas judiciais, ou quando somos atacados sistematicamente pelo Inimigo de nossa alma, é bom refletir juntamente com o parecer de bons conselheiros sobre o modo de agir, e avaliar adequadamente se devemos nos envolver no combate ou deixar tudo ao encargo de Deus, pois Satanás muitas vezes nos provoca a que iniciemos uma luta em seu próprio campo de batalha, sabendo que não temos da parte de Deus nenhuma ordem para atacá-lo, e se o fizermos, a nossa derrota será certa.
Isto está ilustrado em muitas páginas da história da nação de Israel, nas páginas do Velho Testamento, e especialmente destacado na derrota que sofreram em Hormá, depois da sedição em Cades-Barneia, quando decidiram entrar em combate, mesmo tendo sido alertados por Moisés que o Senhor não seria com eles, em razão do episódio da incredulidade dos espias e do povo em Cades.
      




19 O que anda mexericando revela segredos; pelo que não te metas com quem muito abre os seus lábios.
Há um tipo de pessoas que é muito perigoso, com as quais devemos nos cercar de toda a prudência quando em conversa com elas – os mexeriqueiros - que comumente são também aduladores, e por lisonjas insinuam ser nossos amigos, de forma que possam colher informações com o intuito de espalhá-las para fins perversos.
Pessoas com essa tendência são muito usadas por Satanás para produzir divisões nas congregações  cristãs, e a melhor forma de lidar com elas é não dar ouvido às coisas que dizem; e se possível, nem sequer se deter para ouvi-las, uma vez sendo conhecida a fama que têm de mexeriqueiras.






20 O que amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe, apagar-se-lhe-á a sua lâmpada nas mais densas trevas.
Uma criança pode tornar-se muito má, por graus.
Ele começou desprezando o pai e a mãe, desprezando suas instruções, desobedecendo suas ordens, e se irando com suas repreensões, mas finalmente ele chega a um ponto de insolência e impiedade como o de amaldiçoá-los, e dirigir-lhes uma linguagem obscena e agressiva, desejando o mal aos que foram instrumentos do cuidado pela preservação da sua vida, e isso em desafio a Deus e à sua lei, que tinha feito disto um crime capital nos dias do Velho Testamento (Êxodo 21.17).
Uma criança que cresce de tal forma virá a ter sua luz apagada, e será achada em densas trevas; toda a sua honra será lançada no pó, e somente terá ainda algum reconhecimento, caso viva numa sociedade permissiva e concessiva ao pecado, porém não poderá suportar viver na luz daqueles que andam em justiça.
Muitos desses têm seus dias de vida abreviados, pois é comum que se envolvam com tráfico de drogas, furtos e outras práticas criminosas, cujo fim é bem conhecido de todos, especialmente aqui no Brasil.
Considere-se também, que a sua lâmpada não é apagada apenas neste mundo, pois aos sair em tais condições pela morte, para o outro lado do rio, encontrar-se-á num lugar de trevas eternas que está reservado para aqueles que as amam e não a luz, e que caminharam nas trevas aqui embaixo, em vez de andarem na luz de Jesus.



21 A herança que no princípio é adquirida às pressas, não será abençoada no seu fim.
O filho pródigo da parábola contada por Jesus que o diga.
Muitos se apoderam dos bens de seus pais por meio de expedientes fraudulentos, e com a mesma rapidez com que se apoderam deles, também vê-los-ão serem dissolvidos pelo mau uso que deles farão, pois aquele que se dá à prática do furto continuará furtando e usando de fraude em seus negócios, em razão do seu caráter;  isto não prosperará por muito tempo, pois virá o dia em que será descoberto e cairá em desgraça e descrédito.
O que ele fez não pode ser abençoado por Deus, e aquilo que não tem a bênção do Senhor está destinado à ruina eterna.





22 Não digas: vingar-me-ei do mal; espera pelo Senhor e ele te livrará.
Este provérbio é literalmente confirmado nas palavras do apóstolo Paulo,, em Romanos 12.19-21, em que podemos ver claramente que o desejo de vingança é um mal que deve ser vencido pelo bem.
“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem
.” (Rom 12.19-21)
Pode parecer que apesar de não tomarmos medidas práticas para nos vingarmos do mal que nos tiverem feito, todavia temos a concessão da parte de Deus, de guardar pelo menos, o desejo de vê-lo exercendo vingança por nós.
Devemos amar os nossos inimigos e confiar somente em Deus, esperando nele para que nos livre de todo o mal que possam intentar nos fazer.
Se a justiça demandar a retribuição e o castigo do mal, isto compete somente ao Senhor, que tem se comprometido  em fazê-lo, visto que sabemos que seu juízo é imparcial e perfeito.

      




23 Pesos fraudulentos são abomináveis ao Senhor; e balanças enganosas não são boas.
Este provérbio é uma repetição do que comentamos no capítulo 20, verso 1.






24 Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?
Aqueles que chegam à velhice e fazem uma correta avaliação de tudo o que foram e fizeram desde a infância, haverão de reconhecer honestamente que houve uma intervenção de Deus dirigindo seu caminho, tanto em coisas fundamentais, quanto nas mais pequenas.
Coisas inclusive, em que, caso tivesse prevalecido a própria vontade, não teriam alcançado a condição abençoada em que vieram a se achar, porque Deus lhes alterou os planos ou a consumação deles.
No meu caso, por exemplo, com a infância, adolescência e juventude afastado de Deus e sendo um completo ateu; quem diria, que viria a ser um pastor a Seu serviço já por décadas seguidas?
Como poderia entender o meu caminho, como afirma o provérbio?
Saulo de Tarso, que foi um grande perseguidor da Igreja; quem diria que já se achava determinado nos conselhos eternos de Deus ,que a sua verdadeira vocação não era a de ser um perseguidor de crentes, senão o grande apostolo da sua fé?
E os exemplos se multiplicam de formas variadas, especialmente na vida daqueles que são servos de Cristo.
Não se trata de anulação da nossa própria vontade, mas de sermos guiados a viver e a fazer aquilo que será afinal, melhor para nós mesmos, para muitos, e para o progresso do Reino de Deus.
Nós não temos nenhuma previsão de eventos futuros; portanto, como pode um homem entender o seu caminho?
      






25 Laço é para o homem dizer precipitadamente: É santo; e, feitos os votos, então refletir.
Antes de santificarmos e consagrarmos algo  ou alguém a Deus, especialmente no que se refere às ordenações relativas ao ministério, devemos refletir muito, e colocá-los à prova, conforme somos ensinados pela Bíblia, antes de os declararmos consagrados.
A experiência na história da Igreja tem comprovado, que são muitos os casos em que por ter sido feito justamente o contrário, ou seja, com uma deliberação precipitada, muitos foram consagrados e vieram a revelar depois, a sua verdadeira vocação, que não era para o que é santo, senão para o mal. E quanto dano causaram à igreja pela posição que chegaram a ocupar!
Há também o caso daqueles que fazem votos precipitados, e depois se arrependem procurando um meio de não cumpri-los. Caso tivessem refletido antes, certamente não teriam feito o voto, e com isto não cairiam na condição de serem achados como tolos diante de Deus.


26 O rei sábio joeira os ímpios e faz girar sobre eles a roda.
Temos aqui declarado o dever dos magistrados. Por força do seu ofício, eles devem ser um terror para os malfeitores. Eles devem dispersar os ímpios que estão ligados em confederações a fim de se ajudarem mutuamente para fazer o mal; e não há nenhuma forma de se fazer isso, ou seja, de dispersá-los, senão trazendo as rodas da justiça sobre eles, a saber, colocando as leis em execução contra eles, esmagando seu poder e anulando seus projetos.
A gravidade deve, por vezes ser usada para livrar o país daqueles que são abertamente cruéis, corruptos e perniciosos.
Qual é a qualificação exigida dos magistrados, o que é necessário para fazerem isso? Eles precisam ser piedosos e prudentes, pois o rei sábio, é ao mesmo tempo discreto e temente a Deus, devendo refletir em seus atos, que na busca da justiça não está procurando uma oportunidade de vingança pessoal, ou qualquer outro fim parcial, senão o de que aqueles que praticam males não fiquem sem a devida punição, conforme estão prescritas na lei, cuja execução é ordenada pela vontade do próprio Deus.   

27 O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do coração.
Temos aqui a dignidade da alma, a grande alma do homem, que é a luz que ilumina todo o homem.
É uma luz divina; é a lâmpada do Senhor, uma vela de sua iluminação, pois é a inspiração do Todo-Poderoso que nos dá entendimento. Ele formou o espírito do homem dentro dele. É segundo a imagem de Deus, que o homem é criado no conhecimento.
A consciência é uma lâmpada não apenas acesa por ele, mas a intensidade da sua iluminação também é realizada por ele. O Pai dos espíritos é, portanto, chamado de Pai das luzes.
Com a ajuda da razão chegamos a conhecer os homens, para julgar o seu caráter e  mergulhar em seus projetos; e com a ajuda de consciência chegamos a conhecer a nós mesmos.
O espírito do homem tem uma consciência de si mesmo (1 Cor 2.11); ele sonda as disposições e afetos da alma, louva o que é bom, condena o que é de outra forma, e julga os pensamentos e intenções do coração. Esta é a função desta faculdade, deste poder da consciência, para a formação da qual, para que seja boa e ativa temos o dever de meditar diariamente na Palavra de Deus, e orar sem cessar para que cheguemos ao conhecimento verdadeiro da Sua vontade e caminhos.






28 A benignidade e a verdade guardam o rei; e com a benignidade sustém ele o seu trono.
Verdade e Justiça são as bases do trono de Deus. O seu trono, símbolo da Sua autoridade está estabelecido para sempre, por dele emanar somente o que é justo e verdadeiro.
A verdade é. A mentira não é. Deus é o grande eu sou, e será para sempre, porque é a Verdade.
A verdade e a justiça se manifestam em amor, benignidade, bondade, misericórdia; de forma que mesmo quando julga, Deus não põe de lado a sua misericórdia e bondade, pelas quais não excede a medida do juízo, nem procura o mal dos que são julgados, mas, antes de tudo, restaurá-los, de modo que aqueles que são destruídos pelo juízo, são os que rejeitaram a referida restauração.
Deus é estritamente fiel à sua palavra; sincero, e abomina toda forma de dissimulação.
Dos poucos governantes dos quais temos o testemunho da Bíblia e da história de terem seguido os mesmos passos de Deus, como foi, por exemplo,  o caso de Moisés, Davi, Ezequias, Josias, entre outros; todos deixaram saudades quando partiram deste mundo, havendo grande pranto e luto pelo fato de se ter perdido governantes tão justos, apesar de terem deixado o registro de suas boas obras e exemplo gravado na memória de todos que estiveram debaixo do seu governo, como também se tornaram um grande exemplo de verdade, misericórdia e justiça para todos os que têm lido suas biografias, até os dias de hoje.
      





29 A glória dos jovens é a sua força; e a beleza dos velhos são as cãs.
Não é comum que a juventude possua a sabedoria e experiência daqueles que têm atingido a velhice.
De maneira que o que se exalta neles, no provérbio, é a força física e vigor que possuem por conta de serem jovens.
Estando desprovidos do mesmo vigor dos jovens, os velhos não deixam de ter algo que seja belo e para ser admirado, que são as suas cãs, ou seja, seus cabelos brancos, indicadores do tempo de vida que tiveram, e, por conseguinte da oportunidade maior de adquirirem sabedoria e experiência.
Deus tem feito assim, especialmente para que os que são jovens usem sua força e vigor na prática daquelas coisas, nas quais são aconselhados pelos que são mais velhos e notoriamente sábios.
De forma que o alegado conflito de gerações é, na verdade um reflexo dos dias de rebeldia em que temos vivido, porque em vez de conflito deveria haver uma justa cooperação entre aqueles que têm a força, e os que detêm a sabedoria e a experiência, especialmente nos assuntos relativos à vontade de Deus; pois a glória dos jovens é a sua força, desde que bem usada no serviço de Deus e de seu país, e não para atender a seus próprios desejos.




      

30 Os açoites que ferem purificam do mal; e as feridas penetram até o mais íntimo do corpo.
Muitos precisam de castigos severos. Alguns são tão obstinados que nada pode se fazer de bom em relação a eles, senão submeter-lhes a uma correção dolorosa, mas que não ultrapasse os meios necessários a ponto de se tornar uma tortura.
Alguns criminosos devem sentir o rigor da lei e da justiça pública, porque métodos suaves não irão funcionar no caso deles.
O sábio Deus vê que seus próprios filhos, às vezes precisam de aflições muito agudas para que se corrijam.
Repreensões severas, às vezes fazem uma grande dose de bem, como corrosivos que contribuem para a cura de uma ferida, por desfazer a carne esponjosa.

“E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido;
Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho.
Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?
Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.
Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?
Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade.
E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.
Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados,  e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado.” (Hebreus 12.5-13)






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